quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Os Filhos de Hunab K´ u


Olá amigos;
Hoje vou postar duas orações em maia, uma para o dia e outra para a noite. É importante pronunciar as palavras no idioma maia (mântrico). Revivendo a cultura maia estará cumprindo as profecias e fará parte desse ciclo, dentro do qual se manifesta o divino, e se tornará filho de HUNAB K´U em sua memória universal.


ORAÇÃO A HUNAB K´U (PARA O DIA)


CUT IP´IL K´INE C´K´AMIC A THAN YUM
(Ao nascer o Sol recebemos tua palavra, Senho)

TUMEL YETEL U ZAZILE C´AHAL C´PATIC TU LACAL BAAL
(Porque com sua luz desertamos e contemplamos tudo)

C´ILICBA XANTUMEN A PALALOOB XAN
(Contemplamo-nos também porque somos teus filhos)

LEBETICO CU ZAAZTALE C´K´UBCA TECH
(Por sso, ao amanhecer, nos entregamos a ti)

TIAL CA CALANTON. YETEL TOONE CANZAH TECH MIATZIL
(Para que cides de nós e nos ensines tua sabedoria)

A UICH CU PACTICON CU YILCOOM. YUM
(É tu rosto que nos olha e nos contempla, Senhor)

LEBETIC C´K´UBICBA T TECH TAA YETEL YUM HUNAB K´U
(Por sso, nos entregamos a ti, pai e Senhor Hunab K´u)

YETEL TECH CU CU K´UBIC C´PALALOOB
(E te entregamos nossos filhos)

HEBXTU K´UBAHOON C´YUMOOB TI TECH
(Como nossos pais nos entregaram a ti)

YUM HUNAB K´U A UOHEL BAAX CA BETIC TETEL
(Senhor Hunab K´u, tu sabes o que fazes conosco)

TOONEC C´K´ATICTECH YUM HUNAB K´U CA A CANZAHOOB LE BEHO
(Nós te pedimos, Senhor Hunab K´u, que nos ensines o caminho)

ANTON YUM HUNAB K´U U TIAL CA ZUTNAG LE IN LAK´ECHO
(Ajuda-nos, Senhor Hunab K´u, para que retorne esse amor fraterno)

C´K´ATICTECH C´YUM HUNAB K´U TIAL MA ZATAL. OH! YUM HUNAB K ´U!
(Te pedimos, Senhor Doador de Movimento e Medida, para não nos perder. Oh! Senhor Hunab K´u)




ORAÇÃO A HUNAB K´U (PARA A NOITE)


DZU BULUL H´YUM K´IN, DZU TIP´IL X´YUM AK´AB
(Já se pôs o Senhor Sol e já chegou a Senhora Noite)

PEPENOBE CU LEMBALOOB ICHIL U LOL CAAN
(As mariposas brilham entre as flores do céu)

C´TUCULE TIAN TI TECHE C´HUNAB K´U
(Nosso pensamento está em ti, Deus)

TUMEN TECE C´AZAHOLAL, TA K´AB C´K´UBICBA
(Porque és nossa esperança, em tuas mãos nos entregamos)

TECH A UOHEL BAAX CA MENTIC T´ETEL HUNAB K´U
(Tu sabes o que fazes conosco, Hunab K´u)

AK´ABE HUAB K´U, A K´AB CUK´ALALA
(A noite, Hunab K´u, é tua mão que se fecha)

T´ICHILE CU YUCHIL TU LACAL
(E dentro dela tudo ocorre)

HEBIX U TPO´OL NEK´E, HEBIX U HOK´OL YALCHE U TIP´IL LOL
(Como brota a semente, como nasce e brta a flor)

BEYO HEBIX U ZIHIL LE WUINICE
(Assim nasce o Ser Humano)

BEL U YUCHUL TU LACL TU K´AB HUNAB K´U
(Assim tudo acontece nas mãos de Deus)

CALENTEN IN HUNAB K´U! CALENTEN!
(Cuida de mim doador do movimento e medida! Cuida e mim!)

TI TECH IN DZAMA IN WUINCLIL YETEL IN VOL
(A ti entrego meu corpo e meu espírito).

Fonte: "Segredos da Religião Ciência Maia", de Hunbatz Men. Trad: Silvia Branco Sarzana - São Paulo, Ground: 2001. Conheçam o site de Hunbatz Men, ancião da Tradição Itza Maya: http://www.themayas.com.mx

sábado, 25 de outubro de 2008

A Dança das Espirais


"As primeiras brisas frias anunciam o momento de recolher. O instante mágico dedicado ao silêncio, à recomposição energética que se apresenta como um convite ao repensar mais profundo diante da fogueira, é sagrado. O Grande Lagarto se estende sobre as pedras frias, confiante e solitário, a fim de que possa sonhar o amanhã desenhando no Cosmo o respirar de cada criatura.
A hora de firmar com o Intento as aspirações mais elevadas é sutil e reforça a busca de reconexão com Pachamama, a Mãe Terra, em cujos seios estarão deitadas as ações de seus filhos, todos os filhos. Ainda que caminhando cegamente, ausentes de direção, aprisionados a uma existência antropocêntrica destituída de percepções maiores e mais ousadas, esses filhos são também uma parte da Criação, uma modesta parcela que independente de tamanho ou grau de importância, mas que pulsa e está viva.
Ignorante da existência de outros seres e mergulhado em uma soberba absolutamente bizarra, o homem parece fadado à ilusão, distorcendo com habilidade e precisão impressionantes toda a natureza do movimento cósmico simplesmente por não conseguir perceber sua própria dimensão, tropeçando na própria sombra, esquecido da luz e do brilho que reside em todos as coisas vivas.
Mesmo assim, com a chegada das brisas frias e a necessidade de recolhimento tão próprias da estação, Pachamama é generosa e assinala, incansavelmente, o convite para que suas fragmentadas criaturas dancem com as próprias sombras, à luz do fogo, trazendo aos espíritos alembrança ancestral dos ritos do inverno, quando a Dança das Espirais é marcada pelo som dos tambores e orquestrada pelo movimento circular galáctico. Então, quando todos os filhos houverem experimentado a difícil descida aos mundos interiores, quando tiverem ouvido e libertado todos os ais alí depositados, poderão emergir gloriosos no movimento espiral em direção à Grande Luz.
Coloridas lanternas são acesas para que nenhuma alma se perca nesta "perigosíssima" trilha e para que a metamorfose se opere quando o milho fizer estourar no fogo pequenas nuvens, a fim de que os olhos não se esqueçam de mirar os céus e os espíritos aflitos não percam de vista o eterno respirar dos sonhos..."